OS residentes do povoado de Muendaze, no distrito de Memba, vivem momentos difíceis por conta da destruição das suas habitações e perda de bens na sequência da passagem, na região, do ciclone Kenneth.

Muendaze situa-se a oito quilómetros a noroeste da vila-sede distrital, junto ao rio com o mesmo nome, e nela reside uma comunidade calculada em 6600 habitantes, sendo que 5200 foram afectados pelas inundações que se seguiram, o que corresponde a 78.8 por cento da sua população.

As acções de resgate levadas a cabo pelo Governo do Distrito, em colaboração com outras entidades, permitiram salvar 279 pessoas, das quais 170 crianças, 81 adultos e 26 idosos, os quais já se encontram no centro de acolhimento provisório.

As restantes famílias que não foram movimentadas continuam a viver em Muendaze na condição de incerteza e sofrimento pois as inundações levaram tudo o que tinham.

Na manhã do dia 24 de Abril passado Bernardo Jorge, de 53 anos de idade, saiu na companhia da esposa para visitar uma irmã doente e os seis filhos do casal ficaram em casa a fazer os trabalhos domésticos.

Estando no local da visita receberam a informação dando conta que as águas tinham tomado conta do bairro e no regresso tentaram atravessar, sem sucesso, o pequeno rio Maiaia, cujo caudal subiu de forma rápida.

“Decidimos subir para as árvores porque o nível das águas já ultrapassava os joelhos. Ficámos pendurados das 6.00 às 13.00 horas”, contou o interlocutor, que na ocasião não estava sossegado por causa dos filhos.

Bernardo deixou a esposa em cima da árvore e nadou até à aldeia para tentar salvar as crianças. Diz que quando chegou quase todas as casas já tinham sido destruídas e os menores tinham sido socorridos pelos vizinhos. Foi quando decidiu regressar ao encontro da esposa, mas não a encontrou.

“Fui informar ao líder da comunidade e mobilizámos uma canoa para fazer buscas. Mais tarde veio um homem a informar que havia socorrido a minha mulher para a outra margem”, disse.

Agifa Mahamudo, de 31 anos de idade, é uma mãe que por pouco perdia os seus filhos. No início das inundações ela estava na casa da mãe, numa distância relativamente curta. Chegou a ficar assustada porque não encontrou os filhos em casa, que tinham sido socorridos pelos vizinhos para a comunidade de Nathere.

Maria Saíde é outra cidadã que só conseguiu salvar a sua vida e a dos filhos, pois a invasão das águas não permitiu recuperar os seus bens. Aliás, não houve tempo porque as pessoas estavam preocupadas em se manterem sãs e salvas.

“Ficámos em cima das casas até à chegada das equipas de resgate”, deu a conhecer.

Os nossos entrevistados foram unânimes na manifestação de gratidão ao apoio alimentar que o Governo está a prestar às famílias que se encontram no centro de acolhimento.

Segundo as suas palavras, não existem razões de queixa, pois há disponibilidade de comida para as três refeições do dia, contudo há quem se sente insatisfeito devido à forma como a distribuição é feita, incluindo as quantidades.

Para Agifa Mahamudo, trata-se de cidadãos que querem viver como se estivessem em suas casas.

Áreas de produção

AS inundações no distrito de Memba provocaram o alagamento de 2166 hectares de culturas diversas, o corresponde a cerca de dois por cento dos 128.554 hectares semeados na presente campanha 2018/2019. As culturas perdidas representam uma perda de 8234 toneladas de produtos diversos.

O administrador do distrito de Memba, Cheamade Alide, deu conta que dos 2166 hectares dados como perdidos 1048 são da cultura de mandioca, 990 de feijões, 60 de amendoim, 28 de milho, 25 de arroz e 15 de batata-doce.

A produção de peixe, a actividade básica para o sustento da população de Memba, também está comprometida em virtude da destruição de 72 embarcações de pesca (29 parcial e 43 totalmente), incluindo 17 artes de pesca.

As inundações prejudicaram igualmente os negócios locais, ao se notificar a destruição de oito estabelecimentos comerciais e sete mesquitas. No que diz respeito às infra-estruturas sociais, houve a destruição de seis pontes e 16 salas de aula.

Neste momento os esforços estão concentrados na reconstrução, mas a falta de meios financeiros e materiais está a comprometer o rápido restabelecimento dos afectados.

CVM desdobra mais de 100 activistas

Cento e doze activistas da Cruz Vermelha de Moçambique (CVM) em Nampula foram desdobrados pelos distritos de Memba, Eráti e Nacala-à-Velha para assistência às famílias afectadas pelo ciclone Kenneth. 

Para além de prestação de primeiros socorros, os activistas estão a fazer visitas domiciliárias e a divulgar mensagens educativas sobre a necessidade de observância da higiene individual e colectiva, tratamento e conservação da água para o consumo e lavagem das mãos depois de uso de latrina.

Santos Inácio, tesoureiro do Conselho Executivo Provincial da Cruz Vermelha de Moçambique em Nampula, disse por ocasião de 8 de Maio, Dia Internacional da Cruz Vermelha, que esta organização humanitária está em prontidão para dar resposta às solicitações que forem feitas, no âmbito de emergência.

Comments

Cerca de 536 mil famílias, de 103 distritos de Moçambique, estão em risco de fome, devido aos efeitos combinados de estiagem, pragas e inundações, após os ciclones Idai e Kenneth, anunciou ontem o ministro da Agricultura.

“Estima-se que mais de 60 porcento das culturas nas áreas devastadas foram perdidas, podendo colocar a população em situação de insegurança alimentar”, precisou Higino de Marrule.

O governante falava na abertura do V Conselho Coordenador do Ministério da Agricultura no distrito de Gondola, província de Manica

Um total de 873 mil hectares de culturas diversas foram destruídas, das quais 684.171 hectares pelo ciclone Idai nas províncias de Sofala, Manica, Tete e Zambézia, enquanto no Sul, a seca provocou a destruição de 125.855 hectares de culturas alimentares, o que representa 13% da área semeada no país.

O responsável disse ainda que o sector pecuário perdeu 5.400 bovinos, 10.300 pequenos ruminantes e 123 mil aves, afectando cerca de 15 mil criadores, além da destruição de infra-estruturas cruciais nas regiões inundadas pelo ciclone Idai.

“Há necessidade de continuarmos a reflectir sobre como elevar os níveis de produção e produtividade, face aos actuais obstáculos, que se prendem com as mudanças climáticas, que estão cada vez mais acentuadas, com impacto significativo no sector agrário” disse Higino de Marrule. 

A reunião de dois dias, que decorre sob o lema “Moçambique no aumento da produção e produtividade rumo à fome zero”, vai adoptar um plano de recuperação, cujas intervenções estão viradas para a melhoria da capacidade produtiva dos camponeses e reabilitação de infraestruturas, além da repo

Comments

O Serviço Nacional de Migração (SENAMI) interpelou, em Abril último, 254 cidadãos estrangeiros em situação migratória irregular, dos quais 102 foram repatriados e os restantes 152 regularizaram a sua permanência em Moçambique.

Este número representa uma redução em 16 porcento, pois, em igual período de 2018, foram interpelados 297 cidadãos estrangeiros em situação irregular no país.

Os dados foram partilhados pelo porta-voz do SENAMI, Armando Sitóe, durante uma conferência de imprensa havida, ontem, em Maputo.

As províncias com mais registo de cidadãos estrangeiros em situação irregular foram Manica, com 115 cidadãos, seguido de Niassa, com 44, e de Sofala, com um total de 22 cidadãos.

“Em termos de nacionalidades em situação migratória irregular, destaque vai para a malawiana, com 120, correspondente a 47 porcento, a chinesa, com 30 cidadãos, 12 porcento, e bengali 23 cidadãos, equivalente a nove porcento”, explicou.

A falta de meios de subsistência, a permanência ilegal no país, bem como a imigração clandestina foram as principais infracções cometidas pelos cidadãos estrangeiros.

Ainda no mesmo período, o SENAMI registou um aumento migratório de cidadãos estrangeiros, que cruzaram as fronteiras nacionais, em cerca de três porcento, quando comparado com o igual período de 2018.

“Passaram pelas fronteiras nacionais 293.410 cidadãos estrangeiros, contra 284.888 de igual período do ano de 2018”, disse.

A fonte esclareceu que a principal causa do aumento do movimento migratório de cidadãos estrangeiros durante o mês de Abril teve a ver com as festividades da Páscoa, sendo que as nacionalidades mais destacadas foram a zimbabweana, malawiana e sul-africana.

Sitóe apelou a todos os cidadãos estrangeiros, que pretendem entrar no país, para exercer actividade profissional, por conta do Estado ou de outrem, a solicitarem o visto de trabalho nas missões diplomáticas moçambicanas.

“A solicitação de qualquer documento ou serviço da competência do SENAMI deve ser feita pelo próprio requerente e não deve ser confiada a terceiros”, aconselhou.

Comments

A Associação dos Naturais, Amigos e Simpatizantes de Cabo Delgado lançou ontem em Maputo, um movimento solidário, que visa angariar ajuda para as vítimas do ciclone “Kenneth”, que em Abril fustigou as províncias de Cabo Delgado e Nampulam, no norte de Moçambique.

Designado “Cabo Delgado Chama por Nós”, o movimento tem 30 dias para angariar ajuda nas pessoas de boa vontade, sejam moçambicanos, estrangeiros, instituições privadas ou de outra índole.

O acto de lançamento foi dirigido pelo presidente da agremiação, Mateus Katupha, testemunhado por outros membros.

Falando em conferência de imprensa convocada para anunciar o lançamento, Katupha explicou que a campanha deverá concentrar-se em buscar ajuda para habitação, saúde, educação, incluindo a produção agrícola, provisão de água potável através de aquisição de purificadores de água, angariação de materiais de construção, tais como chapas de zinco, cimento, barrotes e pregos, bem como alimentos de primeira necessidade, tendas, redes mosquiteiras, catanas e sementes.

Katupha, que, igualmente, é deputado da Assembleia da República (AR), o parlamento do país, apontou ainda a angariação de material escolar para as crianças vítimas da catástrofe.
Revelou que a Associação já recebeu um contentor de 20 pés cheio de bolachas energéticas.

O “Kenneth” causou pelo menos 41 óbitos, deixou 38 mil famílias em condições difíceis, e 20 mil pessoas tiveram que ser abrigadas nos centros de acolhimento. O mesmo ciclone destruiu cinco pontes.

Últimos dados apontam, que Cabo Delgado regista um total cumulativo de 137 casos de cólera, nos distritos de Metuge, Mecúfi e cidade de Pemba.

“É uma campanha, que busca também contribuir, através de actividades de sensibilização e educação ambiental, para uma recuperação de vida com qualidade superior, mais sustentável e mais resiliente aos fenómenos naturais”, disse Katupha.

Comments

O governo da província de Manica vai abrir, ainda no presente ano, 71 novas fontes de água e reabilitar outras 100, para melhorar o abastecimento deste precioso líquido, sobretudo nas zonas rurais.

No mesmo período, será concluída a construção de seis sistemas de abastecimento de água, nos distritos de Gôndola, Vanduzi, Báruè, Manica e Guro, onde está, igualmente, prevista a reabilitação de outros sistemas considerados obsoletos. A reabilitação poderá acontecer na zona de Dacata, no distrito de Mossurize, e Mungari (Guro).

Com a abertura de novas fontes e melhoramento do sistema, prevê-se que a taxa de cobertura de abastecimento de água potável incremente, passando dos actuais 608.700 consumidores para 703.119 até finais deste ano, representando um aumento na ordem de 7.52 porcento.

A informação foi tornada pública ontem, em Chimoio, pelo governador da província de Manica, Manuel Rodrigues, no encerramento da IX sessão ordinária da Assembleia Provincial (AP), que teve a duração de três dias.

Na sessão, foram abordados vários temas relacionados com o desenvolvimento da província. Manuel Rodrigues disse que, para além de melhorar a rede de abastecimento de água com abertura de novas fontes, consta no cronograma de actividades do governo o estabelecimento de 1.500 novas ligações domiciliárias na zona urbana.

“Nas vilas e cidades, onde, já temos água, serão feitas novas ligações para bairros onde a população não tem o precioso líquido. Queremos que mais pessoas tenham água. É uma iniciativa, que acreditamos, vai ajudar, sobremaneira, na saúde da população. Muitos problemas, que temos nas comunidades também são causados pelo consumo de água imprópria”, afirmou Rodrigues.

O governador não avançou números relativos à orçamentação para implementação desta actividade, mas assegurou estarem criadas todas condições para prover mais água à população com apoio de parceiros.

“Contamos com apoio de alguns parceiros, que trabalham connosco nesta área. Os resultados estão a ser animadores. Como se pode testemunhar, em algumas zonas, onde não havia água. Hoje, a população têm fontes e deixou de percorrer longas distâncias à procura do precioso líquido. Portanto, é um trabalho, que vai prosseguir até conseguirmos cobrir mais zonas”, afirmou Manuel Rodrigues.

Comments
Template Settings

Color

For each color, the params below will give default values
Tomato Green Blue Cyan Dark_Red Dark_Blue

Body

Background Color
Text Color

Header

Background Color

Footer

Select menu
Google Font
Body Font-size
Body Font-family
Direction