Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

A empresa Vale-Moçambique anunciou ontem que retomou as actividades numa secção da mina da companhia, após uma paralisação de quase duas semanas exigida pela população, que se queixava de poluição.

"Depois das negociações com a população e o Governo e de termos encontrado uma solução, voltamos a operar. Mas há impactos com esta interrupção, que serão registados no mês de Outubro, apesar de serem reduzidos", disse o presidente do conselho de administração da empresa, Márcio Godoy.

O presidente do conselho de administração da Vale Moçambique falava durante uma conferência de imprensa para a apresentação dos resultados financeiros do terceiro trimestre da mineradora brasileira, maior exportadora de carvão mineral de Moçambique.

Márcio Godoy disse que os danos com a paralisação das actividades ainda estão a ser calculados, referindo que a empresa teve de redireccionar equipamentos para outros locais para evitar maior prejuízo com a interrupção.

De acordo com Márcio Godoy, a população localizada nos arredores da mina da Vale, em Moatize, exigiu infra-estruturas sociais nas proximidades das suas comunidades, como forma de evitar que atravessasse a zona de exploração à procura de meios de subsistência.

"Um dos pontos da comunidade era ter mais fontes de água nas proximidades, tanto para consumo humano, como para os animais, e nós acautelamos isso", acrescentou o presidente do conselho de administração da empresa.

A paralisação de uma secção da mina em Moatize aconteceu no dia 04 de Outubro, quando a população invadiu as instalações para exigir o encerramento das actividades devido à poluição sonora e do ar.

Durante a conferência de imprensa, a Vale comprometeu-se a investir mais de oito milhões de dólares em projectos sociais, que vão beneficiar cerca de 16 mil famílias.

A Vale emprega 11 400 trabalhadores, dos quais 93% são moçambicanos e 7% estrangeiros, segundo dados da empresa.

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Uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) encontra-se em Moçambique para consultas com as autoridades locais sobre a evolução da situação macroeconómica do país, disse ontem o Ministro da Economia e Finanças moçambicano, Adriano Maleiane.

"Está cá uma missão do FMI para ver onde estamos [em termos de situação macroecónimca] e analisar os melhores instrumentos de ajuda a Moçambique", declarou Adriano Maleiane.

A presença de técnicos daquela instituição financeira internacional faz parte de consultas regulares com o executivo sobre a situação do país, assinalou Maleiane, quando falava numa conferência organizada pelo “Financial Times”.

O Ministro da Economia e Finanças adiantou que a missão enquadra-se no âmbito do Artigo IV, um instrumento que o FMI utiliza ao abrigo da assistência técnica a Estados que a solicitam e que não inclui ajuda financeira.

Questionado sobre a possibilidade de o Governo moçambicano pedir auxílio financeiro ao FMI, Adriano Maleiane foi lacónico, assinalando apenas que as duas partes sempre analisam a melhor forma de cooperação.

"Posso dizer que o FMI está disponível a discutir a melhor forma de cooperação connosco", enfatizou Maleiane.

O FMI suspendeu em 2016 a ajuda financeira ao país, na sequência da descoberta de dívidas secretamente avalizadas pelo anterior Governo a favor de empresas públicas ligadas à pesca e segurança marítima.

Por seu turno, o representante do FMI em Moçambique, Ari Aisen, considerou boa a cooperação com Moçambique, assinalando o empenho das autoridades com a transparência e boa governação face ao escândalo das dívidas ocultas.

"A descoberta das dívidas ocultas tornou consistente a necessidade do fortalecimento da boa governação e transparência", frisou Ari Aisen.

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 A mineradora Vale-Moçambique revela estar a melhorar a sua “performance operacional”, ao superar, no terceiro trimestre de 2018, a produção e receitas de venda de carvão mineral do trimestre anterior.
A produção de carvão subiu de 2,9 milhões para 3,2 milhões de toneladas. O volume de vendas esteve na ordem dos 3,3 milhões, contra 2,6 milhões de toneladas do segundo trimestre. As receitas na venda do carvão ascenderam dos 354 milhões, no segundo trimestre, para 433 milhões de dólares norte-americanos no terceiro trimestre.
O aumento traduziu-se em mais impostos. O contributo para Moçambique foi de sete milhões de dólares em “royalties”, contra seis milhões pagos no segundo trimestre.
Apesar deste crescimento operacional, a empresa registou, no período em análise, prejuízos, em termos de resultado líquido, de 399 milhões de dólares, contra os 193 milhões do período comparativo, um cenário que já era previsto pela empresa.
A mineradora explica que o encerramento de contratos de transbordo de carvão mineral e o aumento dos custos operacionais de produção afectaram as receitas líquidas da Vale-Moçambique, no período. O valor de encerramento dos contratos de transbordo atingiu 170 milhões de dólares.
Em decurso disto, a empresa registou um prejuízo acumulado de receitas líquidas, até o final do terceiro trimestre, de aproximadamente 731 milhões de dólares. 
A Vale-Moçambique revelou os dados ontem, em Maputo, em conferência de imprensa para divulgação dos resultados financeiros e de produção.
“Ficamos com um prejuízo de 399 milhões de dólares por conta de um evento não recorrente, que foi a conclusão das operações de transbordo registadas na contabilidade ao longo do período. Tirando esses 170 milhões, desse número de 399 milhões de dólares negativos o resultado está mais ou menos em linha com os dois primeiros trimestres, que é um prejuízo na ordem 140 milhões de dólares decorrentes da depreciação da base dos activos e juros dos empréstimos que o accionista fez. Era esperado”, explicou o director Financeiro, Marcelino Tertuliano.
Aquele gestor informou que, por conta de custos operacionais para atingir a eficiência da produção, o resultado do que foi produzido, menos os gastos envolvidos nessa produção (EBITDA), foi de 27 milhões de dólares negativos.
“Começámos o trimestre com 22 milhões de dólares positivos. No segundo trimestre, atingimos 32 milhões de dólares acumulados e menos 27 milhões do terceiro trimestre. Chegámos a um EBITDA acumulado do ano de cinco milhões de dólares”, disse, citado pela AIM.
Os accionistas tiveram de pedir empréstimo para desenvolver o projecto levado a cabo pela Vale em Moçambique. A dívida resultante desse investimento mantém-se estável. Foi acrescida somente de juros decorrentes do período, segundo os responsáveis da empresa.
Além da mina de carvão, a Vale investiu na componente ferro-portuária. Só na mina, os accionistas investiram até hoje um total de seis mil milhões de dólares. Hoje, com o acréscimo dos juros, o valor chega aos oito mil milhões de dólares, o que corresponde a um aumento de mais 118 milhões de dólares em relação ao segundo trimestre. 
O empreendimento deve gerar o resultado esperado, para que o valor seja pago na totalidade. A empresa espera produzir até o final deste ano 12 milhões de toneladas, um volume ainda longe de atingir a capacidade nominal instalada, de 20 milhões de toneladas por ano. Mas espera-se que até 2021 a capacidade seja atingida.
“Então, faz parte das estratégias atingirmos a capacidade plena de produção, para que, com isso, tenhamos recursos para começar a repagar os empréstimos dos accionistas, assim como outros investimentos que têm de ser feitos”, vincou.
A Vale emprega em Moçambique mais de 11,4 mil trabalhadores, entre directos e contratados. Destes, 93 por cento são locais. 
Dados fornecidos pelo Presidente do Conselho de Administração (PCA) da empresa, Marcelo Godoy, revelam que a empresa fez “relevantes” investimentos na área social e pretende investir, até o final de 2018, mais de oito milhões de dólares em projectos sociais, beneficiando mais de 16,3 mil famílias.
A gerente de Sustentabilidade da Vale-Moçambique, Delmira Petersburgo, explicou que os projectos futuros de desenvolvimento económico e social vão incidir, concretamente, na criação de emprego e oportunidades de estágios, desenvolvimento da cadeia de valor de fornecedores locais, capacitação de trabalhadores e da comunidade, além de programas de conservação da biodiversidade e revegetação ambiental.

 

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A empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) vai adquirir este ano dois rebocadores de maior capacidade para fazer face às manobras de navios no Porto da Beira, em Sofala. Leia mais

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A província de Gaza registou de Janeiro a Setembro do ano em curso uma produção global calculada em 46.435 milhões de meticais, soma equivalente a 75 por cento da meta estabelecida pelo Executivo da governadora Stella Pinto Zeca para o corrente ano.
A porta-voz do governo de Gaza e directora provincial do Plano e Finanças, Romana Baulane, disse que os distritos de Chókwè, Mandlakazi, e Chibuto são os que mais se distinguiram, com uma produção de 26, 17 e 12 por cento, respectivamente.
Segundo escreve a AIM, actividades como a agricultura, pesca, aquacultura, seguidos dos transportes e armazenamento, e comércio a retalho contribuíram com 60 por cento das receitas geradas ao longo dos primeiros nove meses do ano.
Esta produção, segundo a fonte, representa um incremento de 11 por cento, comparado com igual período de 2017.
“Não obstante a província ter enfrentado na última campanha agrícola um grave revês, devido à ocorrência de pragas e doenças que dizimaram vastas áreas de culturas, tudo aponta para que  estará muito próxima de atingir as metas de produção almejadas,” disse Baulana em declarações à imprensa, ontem, na capital provincial Xai-Xai, à margem da sessão ordinária do Governo.
Num outro desenvolvimento, a porta-voz diz ter sido assunto de debate o Plano Estratégico de Desenvolvimento de Gaza, a ser apresentado em breve numa conferência de investidores.
O plano é um instrumento de trabalho que tem como foco principal a transformação da cadeia de valor agrária, para ser mais competitiva e atraente ao desenvolvimento económico, social e ambiental  sustentáveis.
Para a referida conferência estão já garantidas as presenças, para além de investidores nacionais, homens de negócio oriundos da Índia, Botswana, China, África do Sul, entre outros.

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